Boreste é a direita; bombordo, a esquerda
Imagine-se dentro de um barco, olhando para a frente. O lado da sua mão direita é boreste; o da mão esquerda é bombordo. A frente do barco é a proa, e a parte de trás é a popa.
Por que não dizer simplesmente "direita" e "esquerda"? Porque a direita de cada pessoa muda conforme o lado para onde ela olha. Se duas pessoas estão de frente uma para a outra, a direita de uma é a esquerda da outra. Boreste e bombordo não mudam: são lados do barco, e não de quem fala. Quem gritar "pessoa na água por boreste" será entendido do mesmo jeito por toda a tripulação, esteja cada um virado para onde estiver.
Na escrita, usam-se as abreviaturas BE (boreste) e BB (bombordo). Em Portugal se diz estibordo no lugar de boreste. Em inglês, boreste é starboard e bombordo é port.
Proa e popa: a frente e a parte de trás
A proa é a frente do barco, a ponta que vai cortando a água quando ele anda. A popa é a parte de trás. É perto da popa que ficam o hélice e o leme.
Para dizer "para a frente" e "para trás", a bordo se usa a vante e a ré. Uma caixa guardada a vante está perto da proa; uma guardada a ré, perto da popa. Engatar "a ré" no motor, como no carro, é fazer o barco andar para trás.
Um truque para não confundir
Os barcos levam à noite uma luz verde e uma luz vermelha, uma de cada lado. A verde fica a boreste, à direita, e a vermelha a bombordo, à esquerda. A bordo, a vermelha é chamada de encarnada. É a mesma regra no mundo todo, para que quem avista um barco no escuro saiba para que lado ele está apontando.
Se, de noite, você vê só a luz verde de outro barco, está olhando para o lado direito dele. Se vê só a vermelha, para o lado esquerdo. Se vê as duas juntas, o barco está apontado para você. Há ainda uma luz branca na popa, visível por quem está atrás. O guia de luzes de navegação mostra as outras luzes.
Por que isso importa na água
As regras de trânsito no mar foram escritas em termos de bombordo e boreste. Três exemplos:
- Dois barcos de frente um para o outro: os dois desviam para boreste, a direita de cada um, e passam lado esquerdo com lado esquerdo.
- Dois barcos que vão se cruzar: quem vê o outro chegando pelo seu lado de boreste é quem desvia, de preferência sem passar pela frente dele. O outro mantém o rumo e a velocidade.
- Num canal estreito: cada barco navega pelo lado do canal que fica a boreste, como no trânsito das ruas brasileiras.
Essas regras estão nos guias de regras de governo e de canais estreitos.
Para ir além: través, alheta e bochecha
Quem navega precisa dizer onde está uma coisa vista da embarcação: outro barco, uma boia, uma pessoa na água. Para isso há nomes para as direções intermediárias, sempre acompanhados do lado:
- Bochecha: na diagonal da frente. "Boia pela bochecha de boreste" quer dizer à frente e à direita.
- Través: exatamente de lado, formando um ângulo reto com o barco.
- Alheta: na diagonal de trás, entre o través e a popa.
O guia de través, alheta e bochecha mostra essas partes no casco e o papel da alheta na ultrapassagem.
Essas direções também são ditas em graus, contados a partir da proa no sentido dos ponteiros do relógio: proa a 000°, bochecha de boreste a 045°, través de boreste a 090°, alheta de boreste a 135°, popa a 180°, e do outro lado alheta de bombordo a 225°, través de bombordo a 270° e bochecha de bombordo a 315°. É a chamada marcação relativa. Os números são falados sempre com três dígitos, e o um se pronuncia "uno": 050° é "zero-cinco-zero" e 180° é "uno-oito-zero".
Entre amadores também se usa o código de horas, com a proa às doze: um barco "às três horas" está pelo través de boreste.
No curso de Arrais-Amador
No curso, a nomenclatura é estudada em modelos 3D interativos: você gira a embarcação e cada parte aparece com o nome e a explicação. As regras de manobra são vistas em cenas que reagem ao que você muda, e os simulados no formato da prova treinam termos náuticos, direções e luzes. Conheça o curso de Arrais-Amador.
