Como o satélite dá a posição
GNSS, sigla em inglês para Sistema Global de Navegação por Satélite, é o nome genérico dos sistemas de satélites que dão posição em qualquer ponto da Terra. O GPS, dos Estados Unidos, é o mais usado; há também o GLONASS, o Galileo e o BeiDou.
Cada satélite transmite continuamente a sua posição e a hora exata, marcada por um relógio atômico. O receptor, o aparelho de bordo, mede quanto tempo o sinal levou para chegar. Sabendo o tempo, sabe a distância até cada satélite, e cruzando as distâncias de quatro satélites calcula a posição em três dimensões. Com três satélites, tem-se só latitude e longitude. A velocidade e o rumo vêm do efeito Doppler, a variação na frequência do sinal causada pelo movimento, o mesmo efeito que muda o som da sirene de uma ambulância quando ela passa.
O serviço civil do GPS atende à navegação costeira e em águas restritas. Em 95% das vezes, a posição fica a menos de 9 metros da real.
O que o receptor náutico mostra
A tela principal de um receptor GNSS traz a posição em latitude e longitude, a velocidade no fundo (SOG) e o rumo no fundo (COG), além do número de satélites em uso e da data e hora.
SOG e COG já incluem o efeito da corrente: o receptor mostra o caminho real em relação ao fundo, não a proa. Por exemplo, uma embarcação com proa 007° faz rumo no fundo 011° por causa da corrente. A diferença entre os dois é o abatimento, explicado em corrente e abatimento.
Entre as funções úteis estão o GOTO, que seleciona o ponto de destino da derrota, a rota planejada; o MOB, que marca a posição de homem ao mar e mostra como voltar a ela; e o alarme de fundeio, que avisa se a embarcação garrar, isto é, se a âncora se soltar do fundo e o barco começar a ser arrastado.
Os limites do satélite
O sinal chega à Terra muito fraco e pode ser bloqueado por interferência (jamming) ou falsificado (spoofing). A falsificação é a mais perigosa: em vez de tirar a informação, entrega uma posição errada sem que o navegante perceba. Atividade solar intensa e obstáculos à visada dos satélites também degradam o sinal.
Por isso o GNSS não dispensa os outros métodos. A navegação estimada e as linhas de posição visuais continuam sendo a forma de perceber que algo está errado.
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