Discriminação em marcação
O feixe do radar não é uma linha fina: ele se abre um pouco, como o facho de uma lanterna, em geral de 1° a 2° nos radares marítimos. Poder discriminador em marcação é a menor diferença de direção (marcação) para que dois alvos à mesma distância apareçam como ecos distintos, e o seu valor angular é igual à largura do feixe.
Em metros, a separação necessária cresce com a distância. Com feixe de 1,5°, dois alvos a 10 milhas precisam estar afastados cerca de 530 jardas para não se fundirem; a 5 milhas, a metade. É por isso que pedras, recifes e embarcações perto da costa podem desenhar na tela uma falsa linha de costa, e que os alvos aparecem mais largos do que são.
Discriminação em distância
Poder discriminador em distância é a menor separação em distância entre dois alvos na mesma marcação para que o radar os distinga. O radar emite o sinal em pulsos curtos, e o valor é a metade do comprimento do pulso. O exemplo clássico é o rebocador e o navio rebocado que aparecem como um só eco.
Alguns radares permitem escolher a largura do pulso. Em curtas e médias distâncias, quando se quer imagem mais definida e melhor discriminação em distância, escolhe-se o pulso mais curto.
Sombras e ecos que enganam
Outros fatores também distorcem a imagem:
- Setores de sombra: um alvo grande esconde um menor atrás dele, e a curvatura da Terra esconde o que está além do horizonte do radar. Mastros, chaminés e guindastes do próprio navio criam arcos cegos, que o operador deve conhecer.
- Ecos múltiplos: reflexões repetidas entre o navio e um alvo próximo, em geral pelo través, criam ecos falsos na mesma marcação, no dobro ou no triplo da distância. O eco duplo serve para conferir a calibragem: num radar calibrado, ele fica exatamente no dobro da distância do alvo.
- Ecos falsos indiretos: a energia refletida pelo alvo bate numa estrutura do próprio navio antes de voltar à antena e aparece numa marcação errada.
Ler a imagem com correção exige experiência, sobretudo com mau tempo ou com o equipamento degradado.
No curso de Capitão-Amador
No curso, o radar é estudado em cenas que reagem ao que você muda, com o vetor de cada alvo e a distância e o instante da maior aproximação (CPA e TCPA), e treinado em simulados no formato da prova. Veja também radar e ARPA e conheça o curso de Capitão-Amador.